Consciência ecológica

Quando eu era professora de crianças de dois a seis anos de idade, costumava contar-lhes uma história intitulada “O belo riozinho”. Claro que não vou contá-la inteirinha aqui, afinal você não é mais criança. Mas a síntese da história quero compartilhar com você é a seguinte…

Um menino morava num sítio por onde passava um belo rio. Ele usufruía da água limpa do rio e da sombra das árvores e podia apreciar os animais que viviam à beira do rio. Um dia, ele recebeu de sua mãe a responsabilidade de jogar fora o lixo da casa. Então, ele passou a jogar esse lixo no rio. Com o tempo, o rio foi ficando poluído, a vegetação à sua volta foi morrendo, os animais deixaram de ir até as margens do rio, os peixes começaram a morrer. Certa vez, quando ele mais uma vez estava jogando lixo no rio, ouviu um peixinho pedindo socorro e implorando-lhe que parasse de jogar lixo ali, pois a vida de todos estava sendo ameaçada. Diante de tão comovente pedido, o menino parou de jogar lixo no rio e tudo voltou a ser como era antes.

Você deve estar aí pensando: Que história mais doida! Onde já se viu um peixe conversar com uma criança? É claro que, por ser uma história infantil, tem o lado da imaginação, da fantasia, mas a sua moral é bem verdadeira e se aplica a todos nós, pois é fato que, devido à ação imprudente do homem, o Planeta pede socorro. Também é fato que depende de cada um de nós garantir a continuidade da vida na Terra. E nisso não há a menor fantasia. É a mais pura realidade. Trata-se do desenvolvimento sustentável do nosso planeta. Já ouviu falar nisso? Decerto que sim, porque esse é um tema que está na mídia. Está em debates políticos em todas as nações.

Promover o desenvolvimento sustentável significa conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental e o fim da pobreza. Em outras palavras, todos precisam gerar riquezas com o objetivo de distribuí-las do modo equilibrado, a fim de melhorar a qualidade de vida de todos, mas levando em conta a qualidade ambiental do Planeta.

Ao criar o mundo, Deus nos presenteou com uma diversidade de recursos naturais, que poderiam ser usados, mas que também teriam de ser preservados. No entanto, durante muito tempo, em nome do progresso e do desenvolvimento econômico, o homem usou e abusou desses recursos naturais. Conseqüentemente, eles foram se esgotando.

Com a Revolução Industrial ocorrida no século XVIII, foram inventadas muitas máquinas, e houve uma mecanização do sistema de produção. Isso gerou o progresso e o desenvolvimento de muitas cidades, mas também a exploração de muitas pessoas. A partir desse período, começou a ocorrer uma exploração abusiva dos recursos naturais e a emissão de gases tóxicos por parte dos países industrializados, o que contribuiu para o aquecimento global.

Na metade do século XIX, algumas pessoas começaram a ter percepção da degradação ambiental, mas foi só no final do século XX que o mundo começou a se conscientizar de que os bens da natureza não se renovavam facilmente, e que o progresso precisava ser acompanhado de um desenvolvimento sustentável, isto é, todos os habitantes do Planeta precisavam se esforçar para preservar os recursos naturais, a fim de que eles não se esgotassem.

Em 1983, a ONU criou a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Em 1987, essa comissão deu seu relatório, propondo que o desenvolvimento econômico fosse integrado à questão ambiental. E, em 1992, na cidade do Rio de Janeiro, ocorreu o evento ambiental mais importante do século XX, que foi a ECO-92. Representantes de 175 países e de várias organizações não-governamentais (ONGs) se fizeram presentes na ocasião.

Durante a ECO-92, produziu-se a Agenda 21, um plano de ação a ser adotado pelos governos e pela sociedade civil em todas as áreas em que a ação humana pudesse impactar o meio ambiente. A Agenda 21 considera questões como a geração de emprego e renda, a distribuição mais justa das riquezas, mudanças nos padrões de produção e consumo de modo a não prejudicar tanto o meio ambiente, construção de cidades sustentáveis e adoção de novos modelos de administração que levem em consideração a preservação ambiental.

A partir da ECO-92, passaram a ocorrer várias reuniões com representantes de governos de vários países, a fim de que os compromissos assumidos não caíssem no esquecimento. Hoje, alguns países são pressionados a diminuir a emissão de gases nas indústrias e nos carros e a buscar combustíveis alternativos, a fim de evitar a destruição da camada de ozônio e o aumento do efeito estufa. Muitas pesquisas estão sendo feitas nesse sentido, a fim de criarem-se formas mais saudáveis de utilização dos recursos naturais do Planeta e, ao mesmo tempo, gerar desenvolvimento econômico mundial sem comprometer a qualidade de vida de todos nós.

É devido a essa ação mundial que educação ambiental vem sendo dada nas escolas e através da mídia. Daí você ver tantas reportagens sobre o aquecimento global e alertas sobre a escassez da água. Tudo isso faz parte das políticas adotadas pelos governos interessados no desenvolvimento sustentável do nosso planeta.

As metas do desenvolvimento sustentável são estas: satisfação das necessidades básicas da população, solidariedade para com as gerações futuras, preservação dos recursos naturais, elaboração de um sistema social que garanta emprego, segurança social e respeito a outras culturas, programas educativos e participação de cada um de nós nessa preservação.

Você pode estar perguntando: Como eu posso garantir o desenvolvimento sustentável? Com atitudes simples, como fechar a torneira enquanto escova os dentes, não demorar no banho, jogar o lixo nos locais apropriados, incentivar seus pais a comprarem carros movidos a combustíveis alternativos, engajar-se num movimento de ajuda comunitária, não depredar o patrimônio natural ao passear com sua turma, limpar o quintal de sua casa, não pichar paredes e muros de sua escola, tratar com respeito as pessoas diferentes de você, e por aí vai. Simples, não? É pena que alguns adolescentes não se ligam nisso.

Como cristãos, temos a responsabilidade de contribuir para o desenvolvimento sustentável do Planeta, pois sabemos que “do Senhor é a terra e a sua plenitude; o mundo e aqueles que nele habitam” (Salmos 24.1).

Cabe a nós a responsabilidade de preservar este lugar tão lindo que o Senhor nos deu de presente. Precisamos cuidar com muito amor de tudo aquilo que ele criou.

Contribuir para o desenvolvimento sustentável do Planeta é missão nossa que precisa ser levada a sério.

Lídia Barros Pierott
Educadora – UFMBB – Rio de Janeiro – RJ

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